Como notei que não sou um fracasso...
┆Evandro Maia Neves:
— Quando eu tinha seis anos, descobri que debaixo da minha cama havia uma caixa cheia de artigos de papelaria. Tinha sido o meu pai que deixara ali, uma descoberta incrível para mim naquela época. Eu não sabia, mas aquilo aquilo era objetos que o meu pai planejava vender, como materiais para um novo negócio.
— Encantei-me pelos cadernos de desenho. E como não sabia o conceito desta palavra – surrupiar –, então surrupiei um deles para mim. A partir daí, comecei a observar formas ao meu redor, e tentava reproduzir elas no papel. Peguei uns livros de conto de fadas do Silvio Santos que estavam no quarto e, cativado pelas figuras e desenhos coloridos, comecei a esboçar. O meu objetivo era o de reproduzir aquilo que via.
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— Mais tarde, na pré-adolescência, mantive o hábito de observar e tentar reproduzir, desta vez, as letras. Eu imitava os riscos e curvas das letras que me cativavam. Podiam ser de colegas, familiares ou professores. Esta minha letra – estou olhando para o papel em que escrevo – é um Frankenstein, é feita de retalhos de minhas observações e surrupios de letra (os estilos de letras cursivas roubadas por mim).
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— Muitos anos depois, eu desenhava horrivelmente, as minhas letras eram horríveis. Eu havia relaxado – negligenciado – demais minha habilidade de observação. Ela já estava no passado.
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— Recentemente, comecei a sentir que, com a idade (36 anos), eu já não aprendo tão facilmente os novos conteúdos da faculdade. Comecei a me desanimar por isso. Foi então que olhei para a minha atual letra e percebi que ela estava diferente...
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— Certa vez o meu pai me enviou um vídeo do professor Pier. Nele, o professor dizia que se estuda escrevendo e não digitando. Pois quando se digita, os dados e as informações vão para o HD do computador, mas quando se escreve, vão para o nosso HD, o nosso cérebro.
— Desde então, tenho comprado pacotes de folhas do tipo A4 (resmas de 500 folhas). E tenho escrito tudo que leio, na hora que tiro para estudar. E a prática da constante escrita devolveu o calo no dedo médio que eu havia perdido. Além disso, devolveu-me a precisão em meus traços de caligrafia.
— Como resultado, posso CONFIRMAR que li e escrevi bastante nestes últimos meses. Isso é um indicativo de que me comprometi. Eu não estou parado em inércia, estou em movimento em inércia.
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— Hoje, acordei me sentindo pra baixo, pois estou atrasado na faculdade. Pensei: "além de estar com pendências em disciplinas, também não estou fixando nenhum novo conteúdo!...".
— Se eu comparar a minha letra atual com a do início da graduação, saberei que SIM, estudei. E assim como a minha habilidade em escrever melhorou, a minha habilidade cognitiva também!
— Foi assim que, hoje, lembrei que tenho fixado novos conteúdos na minha mente, tenho adquirido novos conhecimentos. Agora, estou grato: obrigado, pai, pelos cadernos de desenho "escondidos" embaixo da minha cama e pelo vídeo do professor Pierluigi Piazzi.
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