O medo de me expressar
Estou com problemas para ir à faculdade devido a motivos pessoais. Mas sei de uma coisa: vou continuar lutando! Pois levei dez longos anos para conseguir ingressar, e vou concluir o meu curso de graduação, se Deus quiser.
Sou o mais velho da turma. Mas a minha idade não é uma bênção e nem uma maldição, penso eu. Este é apenas o meu próprio tempo.
Eu me lembro de quando iniciei a faculdade de Engenharia Florestal na UEPA, tive um medo grande de me expressar lá, medo da forma como sou. Eu tinha medo de não ser condizente com o esperado naquele ambiente acadêmico. O medo vinha das reações às analogias que costumo fazer ao me expressar, pois algumas pessoas costumam associá-las à infantilidade.
Ocorre que quando as faço no meu ciclo social comum, já sou taxado, e algumas vezes isso gera momentos constrangedores para mim – frustração. Então, muito mais medo eu tinha de me expressar na academia perante os meus colegas e professores.
Mas posso dizer que, nesses mais de três anos de faculdade, eu já melhorei bastante a minha percepção sobre a minha retórica. Não tanto quanto desejo – mas bastante, se comparado ao meu eu de três anos atrás. ('-')v
AQUELE CARA (o eu do passado) era medroso demais, sabe. Agora sou um pouco menos medroso. Eu sofria com ansiedade quando me segurava, quando me sabotava a não usar o meu linguajar informal por estar na academia. Mas eu deveria ter usado bastante, porque agora eu já teria me lapidado muito mais, com base nas minhas experiências. Mas me privei de tais experiências. Tolice, certo?
Certa vez, um colega do meu grupo de seminário conseguiu apresentar uma parte específica do assunto sem ter estudado NADA. Quanto a mim, que cheguei a prejudicar os meus olhos com o excesso de luz da tela do celular e do notebook à noite – sofro das sequelas até hoje – tive uma gagueira e lapsos de memórias justamente por temer fazer as minhas analogias. Quando me fechei e recolhi os ombros, foi então que me neguei a agir coerente com a minha personalidade, a minha mente respondeu de forma ruim. Ela causou a autossabotagem. Então, ela respondeu apresentando um quadro em branco. Juro que eu tentava acessar as informações da minha memórias, mas apenas via uma tela em branco. O meu imaginário, a minha criatividade havia se esvaido. Nisso, a minha avaliadora notou e o interpretou como falta de domínio do assunto. Claro, eu não havia dominado o assunto por completo em tão pouco tempo, porém algumas partes, sim. Mas como iria externalizar se só via um quadro em branco na minha mente?
Ao fim da apresentação, desci as escadas do prédio do Campus cabisbaixo. Uma colega trombou comigo na escada. Talvez tenha sentido empatia por mim, olhou-me e disse: "Parabéns, Maia. A sua apresentação foi muito boa". Não sei o quê, contudo algo nas palavras gentis dela me reanimaram. Como se um desfibrilador fizesse o meu coração, ora entristecido, voltar a pulsar normalmente. Talvez tenha sido a sinceridade que eu também senti nas palavras dela e no tom de voz que usou para comigo. Eu queria ter agradecido ela, mas apenas sorri por dentro. Quero agradecer a ela no futuro, se eu tiver uma oportunidade.
Atualmente, estou mais maduro. Acabei de completar 36 anos. O rei Salomão disse que a sabedoria não está na idade. Quer dizer, não é porque estou mais velho que automaticamente me tornei mais inteligência ou sábio. Porém, o mesmo Salomão também afirmou que a não há limites em se fazer livros, e que o estudar é cansativo. Ou seja, aprendemos sim com o tempo, conquanto vivamos e saibamos aproveitar cada dia. Deixe-me ser mais claro: nós aprendemos vivendo, e aprendemos com o tempo, mas não aprendemos se ficarmos de braços cruzados.
Então, assim que uma ou duas oportunidades se abrem (em um seminário, palestra e até mesmo conversas ocasionais), e dado o ambiente, eu tenho experimentado usar as minhas analogias. Elas fazem referências de Salomão (como já notaste, amigo leitor) quando quero refletir sobre a vida, passando por desenhos animados – Coiote Wily e Papaleguas, da Worner – quando quero explicar sobre a física de uma alava, por exemplo. Pois o Coiote Wily é um verdadeiro engenheiro, que faz de tudo para "pegar" o Papaleguas. Ele já tentou alavancar uma grande rocha para que esta rolasse morro a baixo até uma mira marcada no chão. Tá certo que nem sempre (na verdade ele nunca consegue) executar perfeitamente o seu plano... Está vendo só? É a essas analogias que estou me referindo.
Acabei de me lembrar de outro aspecto importante, e dessa vez negativo, quando eu me empolgo acabo sendo prolixo. Dessa forma acabo perdendo não só a clareza, mas a unidade dos meus textos (sejam orais ou escritos). Isso devido às minhas analogias. Que ironia. Mas repetindo o que disse antes: "estou experimentando usá-las". De outra forma não poderei me expressar – o que é terrível. Apenas, preciso lapidar a forma como me expresso.
Eu nem mesmo publicaria um texto como este (estou me referindo ao meu "eu" de tempos atrás. Mas dada a minha ânsia por aprender a desenvolver melhor os meus textos, vou me arriscar. Esta plataforma (o Bearblog) parece ser um bom lar para as minhas percepções. E tu, amigo leitor, és para mim uma boa companhia nesta viajem literária.
Saiba que gosto muito de ler sobre o que escreves (caso tu sejas um outro escritor na internet e, considerando que eu encontre um ou dois textos teus na web). Porqueler outros autores me encoraja a me expressar – se outras pessoas conseguem, então eu também sou capaz. Ainda que seja cansativo aprender, isso é prazeroso quando alcançamos resultados.
