Pausa Para O Danoninho

O quintal da minha prima estava coberto por mato. Eu havia prometido a ela que iria roçá-lo. Então na manhã de hoje, empunhei um terçado e comecei a trabalhar pelos fundos do terreno.
A cada corte da grama o cheiro da vegetação se espalhava pelo ambiente como uma fragrância rústica. Aquele aroma me remetia a um bem-estar. Aquela era a fragrância do campo. E para quem, assim como eu, gosta do campo, aquele ar puro e natural faz a mente se conectar com o ambiente.
O ricochete do terçado rimbombava quando tocava lateralmente o solo com suaves batidas na medida que eu cortava a grama próximo à sua raiz. A terra marrom não se via ali, apenas o verde da vegetação rasteira que havia crescido rápido devido ao período de chuva na região.
No fundo do quintal, enquanto fazia calos na mão, a minha mente me levou a recordar do meu desejo de logo me formar no curso de Engenharia Florestal para poder trabalhar com as plantas e os ecossistemas. O meu sonho é de que "o meu escritório esteja na beira da floresta", parafraseando uma famosa canção da banda Charlie Brown Jr.
De repente, o céu, que já estava nublado, enegreceu-se. E uma fina chuva começou a cair. Quando a precipitação aumentou muito eu ouvi uma voz angelical gritando para mim assim: "Tio, saia da chuva logo! Venha para cá!". Era a figura de uma pequena pessoa, de cerca de quatro anos, que da porta da cozinha me chamava.
Eu hesitei por um instante em obedecê-la, porém ela me fitava ao longe com um ar de autoridade. Assim que me aproximei, ela me deu uma bronca: "É preciso que eu fique aqui lhe esperando?". Depois, resmungou: "Venha, vou te dar um danoninho".
Eu ainda queria trabalhar, mas devido a forte chuva tive que deixar o serviço para depois. Só não pude deixar de saborear aquele iogurte ofertado pela minha queridíssima -- e temperamental -- sobrinha linda.